FILME: A Casa Assassinada (1971)

FILME: A Casa Assassinada (1971)
Nina (Norma Bengell) acaba de se casar com Valdo Menezes (Rubens Araújo) e os dois se mudam para a mansão da família em Vila Velha (ES). 

Ao chegar, ela percebe como a família Menezes é estranha e desestruturada, e que não existe o dinheiro que ela imaginava. 

Valdo tem um irmão, Demétrio (Nelson Dantas), casado com a amarga Ana (Tetê Medina), mulher invejosa e mal-amada, que olha Nina com desprezo e a quer longe daquele lugar. Demétrio também nutre uma admiração e fascínio por Nina, sua cunhada.

Mas esse ainda não é o maior enigma daquela família.

Trancafiado num quarto, "condenado" sem poder sair, está o outro irmão de Valdo, Timóteo (Carlos Kroeber). Por ter um comportamento estranho – depois descobrimos que ele apenas é um homossexual que gosta de se travestir –, fica isolado de todos. Sua esparsa confidente é a empregada Betty (Leina Crespi).

Maquiado, usando as roupas e as joias da mãe falecida, ele começa a se identificar com Nina, por ambos viverem num mundo de isolamento: ela dentro da casa, e ele dentro de um cômodo. 

Timóteo ainda cita, como inspiração, Maria Sinhá, tia de sua mãe, que vestia-se de homem e calvagava entre cidades, e morrera abandonada num quarto escuro, assim como ele se encontra agora. Seu retrato fora escondido por Demétrio no porão da casa.

No meio disso tudo, Nina tem momentos tórridos com o filho André (o belo e jovem Augusto Lorenço, com cabelos loiros e compridos) que se apaixona loucamente pela mãe. 

Ao mesmo tempo, ela também mantém relações com o jardineiro Alberto (representado pelo mesmo ator Augusto Lorenço, agora com cabelos curtos), enquanto divide-o com a cunhada Ana. Alberto também guarda um importante segredo. 

Cenas de nudez frontal de Norma Bengell, que foi uma das musas do Cinema Nacional nas décadas de 60 e 70 e nunca teve medo de se expor.

Traições, segredos ocultos e até mesmo incestos vão marcar a história daquela família. 

Direção de Paulo César Saraceni.

Curiosidades:

O filme é baseado no livro "Crônica da Casa Assassinada" (1959), do escritor mineiro Lúcio Cardoso.

Trilha sonora de Tom Jobim.

Paulo César Saraceni é tio da diretora da TV Globo Denise Saraceni.

Nelson Dantas é pai do também ator Daniel Dantas.

Tanto o autor do livro quanto o diretor do filme morreram vítimas de um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

As filmagens ocorreram em Valença, Rio de Janeiro, na Casa Léa Pentagna, hoje museu, fundação cultural e casa filantrópica. Léa era amiga de Lúcio Cardoso, e por isso cedeu sua casa para as filmagens.

Há uma cópia não oficial no YouTube.





Lekitsch, Stevan. Cine arco-íris: 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras (Portuguese Edition) (p. 63). Edições GLS. Edição do Kindle. 

Imagem: Por Fonte, Conteúdo restrito, https://pt.wikipedia.org/w/index.php?curid=3248775

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