FILME: Rebecca, A Mulher Inesquecível (1940)

FILME: Rebecca, A Mulher Inesquecível (1940)
Seguindo a trilha de personagens ambíguos de Alfred Hitchcock, chegamos a "Rebecca, A Mulher Inesquecível", que não foge à regra. 

Baseado num livro da escritora britânica Daphne Du Maurier, foi vencedor de 2 Oscar – Melhor Filme e Melhor Fotografia em 1941.

Em seu primeiro filme feito em Hollywood, Hitchcock conta a história de Joan Fontaine (cujo personagem não tem nome), nova esposa do Sr. de Winter (Laurence Olivier). Ela acaba de chegar à sua mansão repleta de empregados prestativos. 

Logo de entrada, conhece a governanta da casa, a Sra. Danvers (numa estupenda interpretação de Judith Anderson), que a trata com hostilidade. Como se não bastasse, a governanta compara-a o tempo todo com a falecida Sra. de Winter, e faz elogios fortes demais à finada patroa. 

Um excesso de paixão é fortemente demonstrado numa cena em que a governanta comenta e põe as mãos sobre as roupas íntimas da falecida bizarramente guardadas numa gaveta. Parece que a Sra. Danvers era muito mais do que uma boa governanta. 

As interpretações são tão pesadas que chegam a ofuscar Lawrence Olivier, bonito como sempre. O subtítulo acrescentado em português deixa a dúvida: inesquecível para quem? A paixão subliminar da empregada pela patroa move todo o filme.

Curiosidades

Grande parte dos livros de Daphne Du Maurier foi adaptada para o cinema, principalmente pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock, que filmou também "Jamaica Inn" (1939) e o clássico "Os Pássaros" (1963).

A história é tão impactante que virou série na Inglaterra e na Alemanha em 1997, e teve uma refilmagem em 2020 também pela Inglaterra, com o ator Armie Hammer fazendo o papel de Sr de Winter, o mesmo ator do clássico LGBT+ "Chama-me Pelo teu Nome" (2017).

O filme é feito ainda durante a Segunda Guerra Mundial, onde a maioria dos filmes são sombrios e sobre temas que envolvem a morte.

O personagem da Sra. Danvers só usa roupas pretas (como uma viúva) e é extremamente masculinizada. Para os mais atentos, o personagem lembra a icônica empregada Juliana, interpretada pela nossa magistral e saudosa Marília Pêra em "O Primo Basílio", série da TV Globo de 1988, nas roupas e, inclusive, no penteado.

O nome Rebecca é falado durante o filme todo, mas NUNCA vemos ela, apenas as pinturas nas paredes e as fotos pela casa, ao contrário da nova esposa, que nem nome no filme possui.

A frase "ele a amava loucamente", referindo-se ao Sr. de Winter à Rebecca é repetida várias vezes, por vários personagens durante o filme. 

O Sr. de Winter conhece a nova esposa quando estava pensando em se suicidar, pulando de um penhasco.

As cenas de viagens, principalmente dentro de carros, calramente se percebe a projeção das paisagens numa tela ao fundo.

A gigantesca mansão na Inglaterra, que é quase um personagem no filme, só é apresentada após 30 minutos de projeção.


Lekitsch, Stevan. Cine arco-íris: 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras (Portuguese Edition) (p. 26). Edições GLS. Edição do Kindle. 

Imagem: Por "© 1939 by United Artists Corporation." - Scan via Heritage Auctions., Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=85711698

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