A famosa peça teatral escrita há 2 mil anos pelo romano Petronius, súdito do Imperador Nero (séc. VII), vai para as telas do cinema com o tom fantasioso do italiano Federico Fellini.
O belo e jovem estudante Encolpio (Martin Potter) é apaixonado pelo andrógino Gitão (Max Born), com quem divide com seu melhor amigo Ascilto (Hiram Keller).
Porém, ao disputar o amor de Gitão, Encolpio perde, pois este prefere Ascilto.
Desiludido, Encolpio foge de um terremoto em Roma e começa a vagar por palácios e reinos diversos, acompanhando o amigo poeta Eumolpo (Salvo Randone).
Devido à sua beleza, Encolpio escapa de ser morto diversas vezes – seja num navio de escravos ou numa luta contra um Minotauro representado. Gitão, sempre por perto, tortura-o se relacionando-se com vários homens.
Como marca de seus filmes, Fellini usa e abusa de personagens bizarros e situações fantasiosas. Centenas de atores desfilam figurinos e cabelos inusitados em cenários grandiosos.
Vale ressaltar as cenas nas quais aparecem uma infinidade de escravos cobertos com minúsculos pedaços de pano (incluindo os protagonistas), além da preferência constante dos homens mais velhos pelos jovens e de cenas de beijos entre mulheres.
Destacam-se ainda:
A celebração do casamento entre dois homens (Encolpio e Lica); o ménage entre Encolpio, Ascilto e uma escrava negra.
A explicação para a origem da palavra “hermafrodita” – junção do deus Hermes (da fertilidade) com Afrodite (do amor), hoje chamado de Intersexo (a letra I do LGBTQIAPN+) –, quando a dupla de amigos tem de resgatar um hermafrodita cheio de poderes (e albino!) das mãos de um curandeiro.
A questão da impotência, quando Encolpio perde o “poder” da sua espada.
E estamos no ano de 1969.
Direção: Federico Fellini.
Infelizmente o filme não se encontra em nenhum streaming ou plataforma oficialmente, mas se pode encontrar cópias no YouTube.
Curiosidades:
Satyricon foi uma das produções mais caras do cinema italiano, só perdendo para o épico Ben-Hur.
O também diretor italiano Gian Luigi Polidoro registrou o título Satyricon (1969) e também fez um filme com esse nome no mesmo ano. Federico Fellini lutou para usar o título em seu filme, mas perdeu a causa. Posteriormente, o título foi alterado para Satyricon de Fellini, como é visto em alguns cartazes e divulgações.
Lekitsch, Stevan. Cine arco-íris: 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras (Portuguese Edition) (pp. 52-53). Edições GLS. Edição do Kindle.
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