Baseado no livro de Howard Fast, o filme conta a história do escravo Spartacus (Kirk Douglas), em 73 a.C., que está sempre escapando de ser morto, inclusive nas lutas de arena, uma diversão para os imperadores e populares.
Tido como invencível pelos demais escravos, começa a incitá-los e a comandá-los para que lutem contra seus algozes, os controladores de Roma.
O roteiro, assinado pelo perseguido Dalton Trumbo, um dos 10 mais odiados e perseguidos profissionais de Hollywood por suas convicções políticas, é um dos mais bem-elaborados da história do cinema, e o primeiro a ser creditado a Dalton depois de anos tendo de se esconder de seus perseguidores.
Kubrick só lamentou o fato de não ter tido tempo suficiente para elaborar mais o roteiro antes de filmar. Mesmo assim, o resultado é surpreendente. O primeiro destaque vai para a reconstituição épica, de figurinos, locais, cenários e adereços, e a presença de um elenco de peso, como Peter Ustinov, Laurence Olivier, Charles Laughton, todos nomes importantes do cinema na época.
E o segundo destaque, para a série de momentos homoeróticos contidos no filme. Gladiadores em roupas ínfimas, demonstrações de afeto entre eles, muitos corpos suados e muito companheirismo. Uma cena inteira, cortada do filme final, mostra Antoninus (o belíssimo Tony Curtis), um “mucamo”, dando banho em seu amo Spartacus (Kirk Douglas).
Durante o banho, de movimentos lentos, os dois discutem suas preferências “culinárias” entre ostras e lulas. As ostras seriam uma alusão ao órgão sexual feminino, e as lulas ao masculino. É só prestar atenção ao diálogo e perceber que a intenção era mesmo outra.
A tal cena cortada pode ser vista no documentário Celulóide Secreto (1995), também constante no nosso livro.
Por tudo isso, os produtores resolveram excluir a cena, que estava explícita demais. Porém, o tom homoerótico ficou mantido em diversos outros momentos.
Curiosidades:
Como toda superprodução, Spartacus teve seus muitos problemas. O primeiro diretor a assumir o filme, Anthony Mann, largou o projeto por seus muitos desentendimentos com o astro principal, Kirk Douglas, que também era o produtor do filme.
Entra em seu lugar o ainda desconhecido Stanley Kubrick, no filme que daria início a sua carreira de clássicos do cinema.
Vencedor de 4 Oscar: Melhor Ator Coadjuvante (Peter Ustinov), Melhor Fotografia em Cores (na época os prêmios eram divididos entre colorido e preto e branco), Melhor Direção de Arte em Cores e Melhor Figurino em Cores.
Foi, ainda, indicado nas categorias de Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora.
Kirk Douglas é pai de Michael Douglas, que também fez uma carreira brilhante no cinema, incluindo outro filme LGBT+ cultuado: Chorus Line (1985).
Disponível nos streamings e plataformas SkyShowtime, Google Play, YouTube, Amazon Prime Vídeo e Aple Tv.
Lekitsch, Stevan. Cine arco-íris: 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras (Portuguese Edition) (p. 53 a 55). Edições GLS. Edição do Kindle.
Imagem: Por Reynold Brown - MoviePoster, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=25030150

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