FILME: O Conformista (1970)

Curioso filme que traça um paralelo muito interessante entre psicologia e política. 

Conta a vida de Marcello Clerici (Jean-Louis Trintignant), que tem uma família nada fácil. Sua mãe depressiva vive cercada de cachorros, é viciada em morfina e tem um caso com o motorista Lino (Pierre Clémenti), que também lhe fornece a droga e será uma figura importante na narrativa.

O pai é um fascista torturador que está no hospício. Estamos na época de Mussolini, e Marcello se filia ao partido fascista, tornando-se um matador de aluguel e eliminando os que são contra o regime vigente.

Casa-se com a fútil Giulia (Stefania Sandrelli) – que só pensa em viagens e compras e por quem Marcello parece sentir amor e desprezo ao mesmo tempo. 

Até que um dia ele recebe a missão de matar um de seus antigos mestres, o professor Quadri (Enzo Tarascio), que combate o regime e distribui jornais clandestinos feitos em sua casa. Marcello se aproxima de sua próxima vítima, trazendo Giulia. 

É quando ambos conhecem a moderna Anna Quadri (Dominique Sanda), que se veste de forma ousada para a época, tem atitudes masculinizadas e atrai a atenção de Marcello. Os dois começam a ter um caso, ao mesmo tempo que Anna também se interessa por Giulia

E é por meio de um flashback que descobrimos de onde vem a frieza de Marcello com suas vítimas e até mesmo com as mulheres. Aos 13 anos, ele, que sofre com perseguições na escola por ser muito medroso, é salvo de um abuso por um grupo de garotos pelo motorista Lino, que o leva para casa. 

Lino tenta abusar do garoto, que atira nele – lembrança essa que vai marcar pra sempre a memória de Marcello e lhe dar a coragem que não tinha antes. Anna não consegue nada com Giulia, e Marcello... só assistindo até o final para saber. Filme excelente com a marca de Bertolucci.

Disponível na Apple TV e Amazon Prime Vídeo.

Curiosidades:

O roteiro foi adaptado do romance homônimo do também escritor italiano Alberto Moravia.

Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, ambos em 1972.


Lekitsch, Stevan. Cine arco-íris: 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras (Portuguese Edition) (pp. 66-67). Edições GLS. Edição do Kindle. 


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