Temos aqui mais um cultuado filme do controverso diretor italiano Pier Paolo Pasolini, segunda parte do que o próprio diretor chamou de “Trilogia da vida”.
Um grupo de andarilhos formado por pessoas de diversas camadas sociais está indo para a cidade de Canterbury (Cantuária), no interior da Inglaterra.
Ao pararem numa estalagem para descansar, resolvem fazer uma competição de histórias: ganha quem contar a mais erótica e bizarra. Começam então a desfilar alguns dos contos do livro do escritor inglês Geoffrey Chaucer, do século XIV, cheios de erotismo e sexo.
Pasolini os transpõe para a tela com suas marcas reconhecíveis: muitos atores jovens, belos e nus, incluindo o que seria a sua recente descoberta e paixão, o ator Ninetto Davoli. Pasolini era assumidamente homossexual.
Os contos têm relação com o universo de quem os narra, envolvendo cozinheiros, marinheiros, carpinteiros, monges, frades, párocos, e insinuando a inter-relação de classes, como nobres e seus criados, entre outros. Há muito de fantasioso também, outra marca de Pasolini, com a presença de figuras mitológicas atuando na vida dos personagens.
Tudo isso envolvido envolvido por cenários maravilhosos e reconstituições de época perfeitas. Filmado na própria Inglaterra, traz em seu elenco vários atores britânicos famosos na época.
O filme é bastante semelhante à obra anterior da mesma trilogia, inspirada no livro Decamerão, de Boccaccio, também citado neste livro.
Curiosidades:
Pasolini participa do filme fazendo o papel dele mesmo.
Segundo filme da "Trilogia da vida" do diretor Pier Paolo Pasolini. Precedido por Decameron (1971) e seguido por As Mil e Uma Noites (1974).
Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, em 1972.
Uma das atrizes do filme é Josephine Chaplin, filha de Charles Chaplin.
Ninetto Davoli, um dos atores do filme, foi "namorado" de Pasolini durante longos anos, tendo vivido, morado e trabalhado com o diretor em 26 filmes dele. Pasolini afirmou que foi o "grande amor de sua vida".
Pasolini foi assassinado por um garoto de programa em 1975, 3 anos após este filme.
Lekitsch, Stevan. Cine arco-íris: 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras (Portuguese Edition) (pp. 67-68). Edições GLS. Edição do Kindle.

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