A história tem um tom de crônica policial, narrando o caso entre a jovem executiva Fernanda Maia (Monique Lafond) e a ex-miss Suely Oliveira (Wilma Dias). Caso este que será coberto de traição e redundará, sem meios-termos, em tragédia.
As duas mulheres se conhecem naquele momento crucial da vida, aos vinte e poucos anos, na encruzilhada entre vencer ou sucumbir à rotina. Encantada pela postura independente de Fernanda, Suely se entrega, e passa a viver com a namorada.
Depois, o filme se transforma num daqueles de tribunal: Suely pula pela janela e se suicida. Fernanda, então, vai para o banco dos réus, acusada de homicídio.
A jovem mulher empreendedora é massacrada por um discurso moralista, com quase todo o elenco do cinema brasileiro dando uma passada no tribunal e espezinhando a pobre moça.
Para piorar, os 2 advogados, de defesa e de acusação, também cumprem sua missão de paternalismo inquisidor, questionando a dignidade das partes em um julgamento que deve ter entrado na história da comarca.
No desfile daquelas "testemunhas" aparece em flashback a vida do casal, que permeia sua relação de pequenas traições, sendo a mais notória com um jornalista (Mário Petraglia), pivô da tragédia.
No subtexto a mensagem derradeira é o resultado do julgamento, com Fernanda escrevendo a lápis no túmulo de Suely um "só eu te amei", cena seguida pelos créditos finais.
Dirigido por Adélia Sampaio, primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil.
Curiosidades:
A história foi baseada em fatos reais, ocorridos no bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (RJ).
A atriz que interpreta a protagonista suicida, Wilma Dias, teve uma morte trágica, sofrendo um enfarte aos 37 anos.
Uma investigação sobre o amor homossexual, quando o assunto no país ou constava das enciclopédias em fascículos ou era restrito ao gueto.
O filme se perde em considerações moralistas, tendenciosas, até irônicas, mas reveladoras de punitiva vigilância social.
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Há um documentário sobre Adélia Sampaio no YouTube:

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