A primeira sequência é chocante: defronte uma penteadeira, Mauro (Chiquinho Brandão), ator transformista, num monólogo cruel, aparentemente justificando o crime que acaba de cometer; pelo espelho, o espectador vê, numa banheira cheia de água e sangue, o corpo de um homem assassinado. Um crime de amor entre gays?
Momentos depois, outra cena dramática: um assassinato em plena rua, quando um jovem yuppie dirigindo um conversível é assassinado por um crioulo disfarçado de vendedor de flores. A câmera se movimenta e o espectador fica na dúvida – verdade ou mentira, ilusão ou realidade?
O filme passa pelo “mundo cane” dos homossexuais, com personagens como o transformista Mauro, o romântico taxiboy bissexual Teddy (Guilherme Leme) e Guto (Marco Nanini), sem ser chocante. Um conto cinematográfico sobre a solidão dos habitantes da noite.
Curiosidades:
O diretor Wilson Barros, em seu único filme, mostra um cruel e realista painel da noite paulistana, com seus personagens mais característicos: artistas, bandidos, travestis, prostitutas e toda sorte de michês (garotos de programa) que estão à procura de amor e aventura.
O diretor e roteirista Wilson Barros morreu por causa da Aids em 1992, aos 43 anos, e fez de seu único longa um filme poético, repleto de fantasia, povoado por anjos, demônios e fantasmas que habitavam sua mente, tanto que vários diálogos do filme eram a fala do próprio diretor sobre a realidade de nossas assombrações.
O filme possui outra opção de cartaz com menos elementos (e eu achei menos interessante que esse). O link está abaixo.

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