FILME: Anjos da Noite (1987)

FILME: Anjos da Noite (1987)
A trama se desenrola a partir de 2 crimes que ocorrem no mesmo dia e envolvem, direta ou indiretamente, a vida de 12 personagens: uma ex-manequim negra, um diretor teatral, um homossexual, uma atriz decadente, um gigolô, uma transformista, uma estudante de sociologia, um sujeito misto de gângster e delegado corrupto, entre outros, estão relacionados a 2 crimes aparentemente gratuitos e impunes até o amanhecer. 

A primeira sequência é chocante: defronte uma penteadeira, Mauro (Chiquinho Brandão), ator transformista, num monólogo cruel, aparentemente justificando o crime que acaba de cometer; pelo espelho, o espectador vê, numa banheira cheia de água e sangue, o corpo de um homem assassinado. Um crime de amor entre gays?

Momentos depois, outra cena dramática: um assassinato em plena rua, quando um jovem yuppie dirigindo um conversível é assassinado por um crioulo disfarçado de vendedor de flores. A câmera se movimenta e o espectador fica na dúvida – verdade ou mentira, ilusão ou realidade?

O filme passa pelo “mundo cane” dos homossexuais, com personagens como o transformista Mauro, o romântico taxiboy bissexual Teddy (Guilherme Leme) e Guto (Marco Nanini), sem ser chocante. Um conto cinematográfico sobre a solidão dos habitantes da noite.

Curiosidades:

O diretor Wilson Barros, em seu único filme, mostra um cruel e realista painel da noite paulistana, com seus personagens mais característicos: artistas, bandidos, travestis, prostitutas e toda sorte de michês (garotos de programa) que estão à procura de amor e aventura.

O diretor e roteirista Wilson Barros morreu por causa da Aids em 1992, aos 43 anos, e fez de seu único longa um filme poético, repleto de fantasia, povoado por anjos, demônios e fantasmas que habitavam sua mente, tanto que vários diálogos do filme eram a fala do próprio diretor sobre a realidade de nossas assombrações.

O filme possui outra opção de cartaz com menos elementos (e eu achei menos interessante que esse). O link está abaixo.


O filme foi considerado cult e apelidado pela crítica como um dos integrantes de um movimento do cinema nacional chamado "Neon-realismo", o qual abraçava a modernidade da narrativa.

No 20° Festival de Cinema de Brasília, em 1987, o filme recebeu o prestigiado Troféu Candango de Melhor Filme, além de receber os prêmios de Melhor Diretor (Wilson Barros) e Melhor Fotografia (José Roberto Eliezer).

No Festival de Gramado, o filme recebeu 7 prêmios, incluindo os Troféus Kikito de Melhor Atriz para Marília Pêra e o Melhor Ator Coadjuvante para Guilherme Leme.

Em 2007, a Superfilmes (produtora original) lançou o filme em DVD.


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