A Numerologia do Preconceito, é quando números específicos são usados como gírias pejorativas ou códigos para identificar ou ridicularizar pessoas LGBT+. E isso não é uma cultura só do Brasil. Acontece em vários outros países do Mundo.
1. Brasil: O Número 24
Este é o caso mais famoso no mundo lusófono. A associação vem do Jogo do Bicho:
O Grupo 24: No jogo, o número 24 corresponde ao Veado. Devido à semelhança fonética com o termo homofóbico (Viado), o número passou a ser evitado por muitos homens, em camisas de futebol, números de poltronas ou até idades (muitos dizem que têm "23+1").
Viado: Por sua vez, a palavra Viado (com i e não com e) deriva do termo Transviado ou Desviado, quando antigamente era associado a pessoas que haviam se "desviado" de sua orientação sexual "normal", ou se "transviado", no caso de transformistas, drag-queens, travestis, ou homens e mulheres trans.
Esporte: o número 24 foi "banido" por décadas, nenhum jogador queria usar a camisa 24 para não ser provocado. Nos EUA o número é icônico por causa de Kobe Bryant, o que criou um choque cultural quando times brasileiros jogam em competições internacionais e recebem atletas estrangeiros que usam o número sem qualquer estigma.
2. Argentina e Uruguai: O Número 24
Curiosamente, no Rio da Prata, o 24 também tem uma conotação ligada à sexualidade, mas por um caminho diferente:
"El Caballo": No "quinielero" (versão local do jogo do bicho), o 24 é o cavalo. No entanto, em algumas gírias antigas de rua, o 24 é usado para se referir a homossexuais, muitas vezes associado à expressão "dar vuelta el 24".
3. México: O Número 41
Este é um dos códigos históricos mais fortes da América Latina.
O Baile dos 41: Em 1901, durante a ditadura de Porfirio Díaz, a polícia fez uma batida em uma festa privada onde metade dos homens estava vestida com roupas femininas.
O Escândalo: O genro do presidente supostamente era o "número 42", mas foi retirado da lista oficial para evitar escândalo. Desde então, o número 41 tornou-se um tabu no México, sendo usado para rotular homens gays. Até hoje, é comum que regimentos militares ou quartos de hospital pulem o número 41.
4. Itália: O Número 71
Na tradição da Smorfia Napoletana (um sistema usado para interpretar sonhos em números de loteria):
"L'Uomo di Merda": O número 71 representa o "homem de pouco valor" ou, em contextos específicos e pejorativos de rua, é usado para questionar a masculinidade de alguém ou insultar homossexuais, embora o termo seja mais abrangente para "pessoa desprezível".
5. China: O Número 0 e o Número 1
Na cultura digital chinesa (e que se expandiu para outros países da Ásia), os números são usados como códigos de posição sexual, mas muitas vezes de forma depreciativa ou fetichizada em fóruns:
0 (Líng): Refere-se ao parceiro passivo.
1 (Yī): Refere-se ao parceiro ativo.
0.5: Refere-se a quem é versátil.
Embora sejam termos de autoidentificação, são frequentemente usados por terceiros de forma estereotipada para "classificar" homens.
6. Tailândia: O Número 2
Em alguns contextos da gíria local tailandesa, o número 2 (especialmente quando repetido) pode ser associado à dualidade ou ao termo "segundo tipo de mulher" (sao praphet song), usado para se referir a mulheres trans ou homens afeminados, embora o uso esteja mudando para algo mais descritivo do que puramente insultuoso.
Texto e imagem parcialmente criados por inteligência artificial, a partir de instruções do autor deste blog.

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