O Nuh (Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT+) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Acervo Especial LGBT+ Cintura Fina são referências fundamentais na preservação da memória, na pesquisa acadêmica e na defesa dos direitos da população LGBTQIA+ no Brasil.
Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT+ (Nuh/UFMG)
Criado para articular ensino, pesquisa e extensão universitária, o Nuh é um grupo interdisciplinar vinculado à UFMG que atua na interface entre psicologia, sociologia, educação e direitos humanos.
- Foco de Atuação: Realiza pesquisas acadêmicas sobre diversidade sexual, gênero, sexualidade, violência de gênero e políticas públicas.
- Projetos de Extensão: Promove ações comunitárias, capacitações para educadores e profissionais de saúde, além de produzir publicações e cartilhas educativas.
- Rede de Apoio: Atua na defesa dos direitos humanos e na formulação de estratégias de combate à homofobia, transfobia e outras formas de discriminação.
Site: https://nuhufmg.com.br/
Acervo Especial LGBT+ Cintura Fina
O acervo reúne um vasto patrimônio documental e histórico sobre a trajetória dos movimentos e da cultura LGBTQIA+ no Brasil, com especial destaque para Minas Gerais.
- Origem do Nome: O nome é uma homenagem a Cintura Fina, figura lendária da noite e do universo trans/travesti de Belo Horizonte (MG) entre as décadas de 1950 e 1970, símbolo de resistência e da memória marginalizada da cidade.
- Composição do Acervo:
- Periódicos e Imprensa Padrão e Alternativa: Exemplares da imprensa homossexual histórica brasileira (como jornais dos anos 1970 e 1980), revistas, zines e boletins informativos.
- Documentos Históricos: Panfletos de manifestações, atas de reuniões de grupos ativistas, cartazes de eventos, manifestos e correspondências.
- Materiais Audiovisuais e Fotográficos: Registros de Paradas do Orgulho, registros fotográficos da vida noturna, depoimentos e produções culturais.
- Coleções Pessoais e Doações: Arquivos doados por militantes, pesquisadores e organizações sociais que registraram a história do ativismo local e nacional.
Importância Conjunta
A integração entre a produção de conhecimento do Nuh e a salvaguarda do Acervo Cintura Fina consolida a UFMG como um dos principais polos de preservação da memória e do pensamento crítico sobre a diversidade sexual no Brasil, garantindo que a história do ativismo não seja apagada e sirva de base para novas pesquisas e políticas públicas.
Quem foi Cintura Fina?
Cintura Fina foi uma figura histórica, lendária e emblemática da cultura e do ativismo LGBTQIA+ no Brasil, com uma trajetória profundamente ligada à história urbana e boêmia de Belo Horizonte entre as décadas de 1950 e 1970.
Origens e Trajetória
- Nascimento e Juventude: Nascida em Fortaleza (Ceará) em 1933, viveu de forma independente desde a adolescência e transferiu-se para Belo Horizonte (MG) na década de 1950.
- Atuação em BH:
Negra e travesti, tornou-se uma das personalidades mais conhecidas da zona boêmia da capital mineira (em regiões como a Lagoinha e o Bonfim). - Atividades e Habilidades: Trabalhou em diversas funções ao longo da vida (como costureira, alfaiate, cozinheira e gerente de pensão), além de ser famosa pela elegância e por sua habilidade com a navalha, instrumento que portava na cintura como ferramenta de autodefesa e proteção das populações marginalizadas da região.
Impacto Cultural e Memória
- Representação nas Artes: Ganhou projeção nacional quando sua figura inspirou a personagem interpretada pelo ator Matheus Nachtergaele na minissérie da TV Globo Hilda Furacão (1998), baseada no romance de Roberto Drummond.
- Resgate Histórico:
Teve sua biografia resgatada pelo pesquisador Luiz Morando no livro Enverga, Mas Não Quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte (2021). - Reconhecimento:
Em 2021, foi homenageada com o título de Cidadã Honorária de Belo Horizonte in memoriam. O acervo mantido na UFMG (Acervo Especial LGBT+ Cintura Fina) leva seu nome como símbolo da memória, resistência e salvaguarda da história LGBTQIA+.
Faleceu em 1995 na cidade de Uberaba (MG).

Comentários
Postar um comentário