O primeiro filme da “Trilogia da Vida”, de Pasolini, seria mais belo e inspirador do que o já comentado Contos de Canterbury.
Desta vez o autor escolhido é o também italiano Giovanni Boccaccio, que tem 9 de seus contos vertidos para as telas. Ele escreveu 100 novelas entre 1348 e 1353.
Um grupo de rapazes e moças da alta sociedade resolve se esconder no campo para fugir da “peste negra” que assola a Europa. Instalados numa casa rústica, sem ter muito o que fazer, resolvem começar a inventar contos eróticos.
Freiras insaciáveis abusam de um jardineiro surdo-mudo, até que ele, exausto de ter de dar conta de todo o convento, volta a falar. É o “milagre” do sexo.
Dois jovens amantes são pegos pelos pais da moça dormindo juntos no telhado de sua casa. Enquanto a moça segura no membro do amante que dorme, seus pais discutem as vantagens de os jovens se casarem – afinal, o rapaz é rico. Uma cena absurda, com jogo de interesses e classes sociais, sempre presente nos filmes de Pasolini.
Uma mulher infiel e muito habilidosa nas questões financeiras.
Um pintor que descobre estar tuberculoso e tenta enganar a morte.
E outras histórias que Pasolini transforma em imagens, sempre de forma pitoresca, com atores desconhecidos e uma naturalidade quase improvisada.
Curiosidades:
Os dentes dos personagens masculinos são sempre muito feios, ao contrário dos femininos. Ainda não descobri o motivo.
A TV Globo fez uma minissérie, de nome Decamerão: A Comédia do Sexo (2009) com o mesmo conteúdo e nome dos contos de Boccaccio.
Na capa do DVD e em vários cartazes do filme, o personagem destacado é justamente o de Ninetto Davoli, que era namorado de Pasolini na época.
A Netflix também lançou uma série em 2024 com o mesmo nome Decameron.
Não está em nenhum streaming, mas possui uma cópia não oficial no YouTube:
Lekitsch, Stevan. Cine arco-íris: 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras (Portuguese Edition) (pp. 69-70). Edições GLS. Edição do Kindle.

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