FILME: Decameron (1971)

FILME: Decameron (1971)
O primeiro filme da “Trilogia da Vida”, de Pasolini, seria mais belo e inspirador do que o já comentado Contos de Canterbury

Desta vez o autor escolhido é o também italiano Giovanni Boccaccio, que tem 9 de seus contos vertidos para as telas. Ele escreveu 100 novelas entre 1348 e 1353.

Um grupo de rapazes e moças da alta sociedade resolve se esconder no campo para fugir da “peste negra” que assola a Europa. Instalados numa casa rústica, sem ter muito o que fazer, resolvem começar a inventar contos eróticos. 

Freiras insaciáveis abusam de um jardineiro surdo-mudo, até que ele, exausto de ter de dar conta de todo o convento, volta a falar. É o “milagre” do sexo. 

Dois jovens amantes são pegos pelos pais da moça dormindo juntos no telhado de sua casa. Enquanto a moça segura no membro do amante que dorme, seus pais discutem as vantagens de os jovens se casarem – afinal, o rapaz é rico. Uma cena absurda, com jogo de interesses e classes sociais, sempre presente nos filmes de Pasolini. 

Uma mulher infiel e muito habilidosa nas questões financeiras. 

Um pintor que descobre estar tuberculoso e tenta enganar a morte. 

E outras histórias que Pasolini transforma em imagens, sempre de forma pitoresca, com atores desconhecidos e uma naturalidade quase improvisada. 

Curiosidades:

Os dentes dos personagens masculinos são sempre muito feios, ao contrário dos femininos. Ainda não descobri o motivo. 

A TV Globo fez uma minissérie, de nome Decamerão: A Comédia do Sexo (2009) com o mesmo conteúdo e nome dos contos de Boccaccio.

Na capa do DVD e em vários cartazes do filme, o personagem destacado é justamente o de Ninetto Davoli, que era namorado de Pasolini na época.

A Netflix também lançou uma série em 2024 com o mesmo nome Decameron.

Não está em nenhum streaming, mas possui uma cópia não oficial no YouTube:





Lekitsch, Stevan. Cine arco-íris: 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras (Portuguese Edition) (pp. 69-70). Edições GLS. Edição do Kindle. 


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