FILMES LGBT+: A Década de 1980 - Cores de Frida Kahlo

FILMES LGBT+:  A Década de 1980 - Cores de Frida Kahlo

Finda-se de vez a censura. Os regimes autoritários caem por terra. 

Em 1985 acaba o último governo militar do Brasil, do General João Baptista Figueiredo. Um novo presidente é eleito pelo Colégio Eleitoral, o primeiro presidente da nova era democrática. 

Tancredo Neves é escolhido, mas não assume: falece antes de tomar posse. Assume então o cargo José Sarney, que muito faz pela nossa cultura e pelo nosso cinema.

O povo vai às ruas para pedir as Diretas Já, para poder ele mesmo escolher seus representantes, mas só é atendido em 1989, quando elege seu primeiro presidente por meio das urnas do povo: Fernando Collor de Mello.

Pelo mundo, também ainda se ouvem resquícios de governos socialistas, comunistas e ditatoriais. Surge nessa mesma década uma invenção que vai revolucionar o mundo para sempre, e que muito contribuiu para que esse livro fosse escrito: a informática para o povo, o computador portátil e a Internet.

Com tantas grades sendo quebradas, é uma época profícua para o cinema em geral, e mais ainda para o cinema gay. Agora o assunto não é mais subliminar, e as cenas são ousadas, explícitas e fortes. 

Homens e mulheres gays saem dos papéis secundários e tristes para viverem protagonistas felizes, bonitos e amados.

Dos Estados Unidos surgem clássicos como "Essa Estranha Atração" (1991) e "Minha Adorável Lavanderia" (1985). É a continuação dos musicais, sempre com a presença forte de gays, como "Fama" (1980).

Na Europa, surge um dos maiores ícones do cinema gay europeu, Pedro Almodóvar, que traz filmes inesquecíveis vindos da Espanha. Com um estilo oposto, Fassbinder vem da Alemanha com o seu marcante e inquietante "Querelle" (1982).

No panorama nacional, Nelson Rodrigues ainda é o autor da vez, com os pesadíssimos "Os Sete Gatinhos" (1980), "Engraçadinha" (1981) e "Beijo no Asfalto" (1981)

Sônia Braga faz carreira internacional no complicado "Beijo da Mulher-aranha" (1985). E as mulheres estão mais presentes nos clássicos "Tessa, A Gata" (1982) e no sombrio "Vera (1986).

A presença das transexuais e travestidas, assunto meio renegado até então, é forte nessa década. "Tootsie" (1982) questiona esse ponto fortemente, seguido por "Victor ou Victória?" (1982), uma deliciosa comédia musical. 

Lilica, personagem meio marginal e meio travesti do filme "Pixote" (1980) torna-se um dos mais marcantes do cinema nacional.

No sentido inverso, "Yentl" (1983) traz a mesma proposta, uma mulher que tem de se travestir de homem para poder sobreviver numa sociedade machista. 

A "Gaiola das Loucas" europeia traz 2 excelentes continuações. E, para fechar a década, o personagem travestido de Patrício Bisso tem papel importante na comédia nacional "Dias Melhores Virão" (1989)

Uma leva de mais de 50 filmes notáveis iluminam as telas dessa fervilhante década.

O título da crônica é uma homenagem ao cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que traz um colorido nunca antes visto no cinema (posoo dizer que Fassbinder também) que lembra muito o colorido dos quadros da artista mexicana Frida Kahlo (1907 - 1954), que possuem cores muito vibrantes. 

A mudança dos processos de filmagem também, traz um colorido mais vivo aos filmes, ao invés de uma versão esmaecida que se via nos filmes coloridos das décadas anteriores. 

Frida, além de pintora, artista, e feminista, era bissexual, e um ícone do seu tempo e do século 20, com sua arte que é homenageada, reverenciada e inspiradora até os dias de hoje. 

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